Opinião: "O ídolo e a próxima geração"
Joaquim Evangelista e os números do estudo apresentado pelo Sindicato dos Jogadores.
No artigo de opinião desta semana publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, analisa os números do estudo da utilização de jogadores nas ligas profissionais na primeira volta da época 2025/26 e o futuro dos jovens futebolistas portugueses:
"Cristiano Ronaldo celebrou 41 anos, marcados pela excelência da sua carreira e um percurso inigualável enquanto maior embaixador do futebol português.
Fazendo a retrospetiva de um percurso marcado pelo talento, capacidade de superação e progresso constante, importa compreender que oportunidades existem hoje para os jovens talentos que pretendem seguir as pisadas do nosso capitão.
Estamos a promover o talento da próxima geração? Será a emigração uma escolha obrigatória para os jovens que querem afirmar-se num patamar de elite?
O Sindicato dos Jogadores lançou em parceria com o Record um debate fundamental para a defesa do jogador português, contando com a análise de Rui Vitória e João Vieira Pinto aos números da utilização de jogadores portugueses nas ligas profissionais.
Das suas intervenções, partilhando a mesma visão sobre o impacto negativo que tem uma utilização de 71% de estrangeiros face a 29% de portugueses no principal escalão do futebol português, destaco algumas ideias importantes. Para Rui Vitória, só com pressão social este tema ganhará relevância.
Não basta retirar ilações destes números esmagadores, é preciso que a comunidade desportiva imponha a criação de regras que protejam todo o trabalho feito desde os escalões de formação.
João Vieira Pinto, um dos símbolos da nossa geração de ouro, realçou o impacto negativo que estes números podem trazer para as Seleções Nacionais.
Reclamar espaço competitivo não deve confundir-se com facilitismo ou um certo vedetismo que começa a ser alimentado prematuramente pelos agentes ou pelas famílias, na convicção errada de que todos os jovens com talento se tornarão profissionais.
A conclusão é a de que precisamos dar um murro na mesa e implementar medidas urgentes que protejam, em última análise, o futuro do jogador português. Tendo a oportunidade de representar as associações de classe na task force criada pela FPF para a revisão do modelo de financiamento do futebol em Portugal, não deixarei de defender um planeamento estratégico assente na discriminação positiva dos clubes que apostam na contratação e potenciam as carreiras dos nossos jovens.
Termino com a memória de um amigo que nos deixou prematuramente há dois anos. O legado do João Oliveira Pinto não desaparece. Fica para sempre a bondade, a solidariedade e o amor ao futebol. No Sindicato dos Jogadores o seu nome estará sempre presente, em cada conquista e em todos os desafios que nos lembram que unidos seremos sempre mais fortes."



