Opinião: “António Oliveira: clarividência e elevação”
Presidente do Sindicato dos Jogadores e a reflexão do treinador português no seu blogue pessoal.
No artigo de opinião desta semana, publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, destaca a reflexão do treinador português António Oliveira sobre o contrassenso de um país ferido pela tragédia das tempestades e um futebol incapaz de se elevar, continuando a alimentar polémicas:
"Conheço mal António Oliveira, para além do seu percurso como jogador, treinador e dirigente. Escolhi falar dele esta semana pela fantástica reflexão que deixou no seu blogue pessoal: “Por entre linhas”, acerca do contrassenso que é viver num país ferido pela tragédia das intempéries e ter um futebol incapaz de se elevar, dando o holofote mediático às polémicas do costume.
Apesar das muitas ações solidárias que nos recordam que existem clubes e atletas que não podem prosseguir a sua atividade nas zonas afetadas, nem sabem se terão meios ou apoios suficientes para reconstruir aquilo que o mau tempo arrasou, somos inundados por horas infinitas de debates sobre a espuma dos dias, discussões morais que fomentam o ódio e colocam grandes clubes e respetivos adeptos entrincheirados, a preparar a próxima oportunidade de confronto.
Sem podermos ser fatalistas, não podemos deixar cair no esquecimento quem continua a sofrer. Precisamos, também, de colocar a adaptação às alterações climáticas no debate sobre o investimento nacional para o desporto.
Numa fase em que era unânime que precisávamos de mais investimento e uma estratégia concertada entre clubes e autarquias para melhorar o parque desportivo, deve adicionar-se à missão de melhorar as infraestruturas o investimento que as torne adaptáveis a condições climatéricas extremas, tendo como foco a proteção do jogo e a saúde dos praticantes.
É preciso educar a população em geral, e o desporto em particular, para a necessidade de prevenção e adaptação possível a um conjunto de fenómenos que vai ocorrer cada vez com mais frequência.
No meio de tudo isto, António Oliveira diz-nos que o futebol pode escolher entre ser lembrado pelo que construiu e não pelo ruído que produziu, citação que aqui deixo como um exemplo de elevação, clarividência e farol que os agentes desportivos devem seguir.
Em duas notas de rodapé, quero destacar a entrada histórica de um representante dos futebolistas no Comité Executivo da UEFA. Parabéns à FIFPRO Europa pelo trabalho sólido que permitiu este reconhecimento e ao meu homólogo David Terrier, que dará voz aos jogadores na UEFA.
Finalmente, ainda sobre o 50.º Congresso da UEFA, convido toda a comunidade desportiva a rever o discurso do Comissário Europeu para o Desporto, Glenn Micallef, disponível no site da Comissão Europeia. Um alerta sobre os perigos do futebol negócio e um apelo à concertação social, com as necessidades dos atletas no centro das preocupações."



