Opinião: "Fim de época e os desafios da transição"


Presidente do Sindicato dos Jogadores e o pós-carreira dos futebolistas.

No artigo de opinião desta semana, publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, analisa o futuro dos futebolistas que terminam a carreira: 

"Desde o momento em que o jogador anuncia a sua retirada até que se sente verdadeiramente na condição de ex-jogador, vai uma distância que é marcada por muitas incertezas e desafios pessoais e profissionais.

Os finais de época trazem, habitualmente, os anúncios das despedidas dos relvados, alguns jogadores com futuro indefinido, outros já integrados em novas funções.

Só recentemente, nomes como Pizzi, Miguel Lopes, José Fonte, Rita Fontemanha ou Diogo Valente anunciaram o final de carreira e, apesar das dificuldades naturais associadas a este momento, a realidade que enfrentarão é substancialmente melhor do que aquela que existia no passado.

Hoje, muito por ação do Sindicato dos Jogadores, que antecipadamente olhou para a carreira de forma holística, existem melhores perspetivas na fase de transição.

Depois de garantirmos maior estabilidade contratual, com todos os mecanismos de controlo introduzidos, iniciámos o caminho da sensibilização para a importância da educação, que se encontra normalizada, seja pela conclusão do ensino obrigatório, seja no acesso ao ensino superior ou desenvolvimento de projetos alternativos de carreira: o plano B.

Conceitos como as carreiras duais começaram a ganhar forma no diagnóstico que fizemos às necessidades educativas dos jogadores de futebol em Portugal e nas medidas implementadas no terreno.

Depois do “caminho das pedras” percorrido, a que se juntaram várias organizações, os futebolistas têm uma melhor perspetiva de futuro e um capital humano que não se pode desperdiçar. Podemos e devemos apoiar a estabilidade e transição profissional noutros setores, como a arbitragem, mas não devemos perder de vista os principais protagonistas.

São inúmeros os casos de jogadores que têm respondido de forma exemplar em novas funções, contribuindo para o crescimento dos clubes, o desenvolvimento de novas gerações de atletas e a valorização dos projetos desportivos que representam.

Contudo, é significativo o número de ex-jogadores que ainda procuram uma oportunidade de trabalho, apesar de terem apostado na sua qualificação.

Nada se consegue sem a aquisição de competências formais, mas ainda falta valorizar devidamente aquilo que os atletas podem aportar: a capacidade de trabalhar sob pressão e em equipa, de liderar e ser liderado, o espírito de entrega, compromisso e capacidade para cumprir objetivos, além do conhecimento do jogo e experiência de vida, no plano nacional e internacional, que tantas vezes é ignorada. Estamos definitivamente melhor, mas há caminho a percorrer."

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