Opinião: "Os holofotes do Mundial"
Presidente do Sindicato dos Jogadores e os primeiros dias do Campeonato do Mundo.
No artigo de opinião desta semana, publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, faz o balanço dos primeiros dias do Mundial 2026 e da estreia da Seleção Nacional:
"O Mundial que decorre nos EUA, México e Canadá foi preparado com muitas incertezas e receios sobre a segurança e logística do evento, ficando também marcado pelos constrangimentos na entrada de vários protagonistas em solo americano e pela difícil gestão da participação iraniana na competição, apesar do acordo de paz, entretanto anunciado.
À margem destes lamentáveis incidentes, a competição tem decorrido com mais normalidade do que era esperado, implementando regras dentro de campo que se tornarão casos de estudo, com resultados interessantes. A cronometragem de tempo para bater pontapés de baliza ou lançamentos, as regras para assistência médica ou a ação dos capitães de equipa na comunicação com os árbitros parecem estar a ter um efeito positivo na fluidez do jogo.
Já as pausas para hidratação parecem levantar mais dúvidas. Pessoalmente associo-me à ideia de que são as condições climatéricas, a temperatura e humidade registadas, traduzindo um risco efetivo para a saúde dos atletas, que devem impor uma ou duas pausas desta natureza no jogo. Criar um padrão obrigatório, mesmo quando não se justifica, levanta dúvidas sobre outros objetivos comerciais.
Para a Seleção Nacional foi uma estreia difícil, marcada por uma avalanche de críticas, discurso divisionista, teorias da conspiração e, sobretudo, memória curta. Se formos rever os acontecimentos de outras fases finais percebemos rapidamente que este ambiente nunca deu bons resultados. Compreendo a frustração de quem apoia a Seleção, mas é nestes momentos que os jogadores mais precisam de sentir apreço e respeito para tentar superar um início que não deixa ninguém mais frustrado do que eles próprios.
Os holofotes daquela que é a mais prestigiada competição de futebol do mundo são assim. Por mais ferramentas que permitam bloquear o discurso de ódio e ataques nas redes sociais, por mais acesso que seja dado aos bastidores e à preparação das equipas, por mais campanhas ou aposta na unidade e sentimento nacional que se possam desenvolver, a bola começa a rolar e um mau jogo parece colocar absolutamente tudo em causa. Assim vai Portugal por estes dias.
A quem tem o privilégio de representar a classe dos futebolistas, cumpre enviar uma mensagem de calma, coragem, foco no trabalho desenvolvido e consciência do legado deixado por tantas gerações. Já estivemos perto da glória e, objetivamente, já estivemos em situações muito piores, com menos recursos para dar a volta por cima. Sigam em frente e na próxima terça-feira estaremos convosco."



