Opinião: "Jorge Jesus: let`s roll"


Presidente do Sindicato dos Jogadores e a escolha do novo selecionador nacional. 

No artigo de opinião desta semana publicado no jornal Record, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, analisa o novo ciclo na Seleção Nacional, com a escolha de Jorge Jesus para selecionador: 

"Esta sexta-feira iniciou-se oficialmente um novo ciclo na Seleção Nacional, com a apresentação de Jorge Jesus como novo selecionador. O dia era, já por si, especial. A 10 de julho de 2026 assinalámos a primeira década sobre a conquista do Campeonato da Europa em Paris, um feito que, duas Ligas das Nações depois, parece natural, mas que marcará para sempre um ponto de viragem e a consagração de Portugal como potência futebolística.

Essa conquista foi tão somente o sonho de gerações tornado possível. Os heróis de 2016 não foram apelidados como os melhores de sempre. Conquistaram esse estatuto com crença, fome de vencer e muita resiliência. Importa, por isso, agradecer a todos os profissionais que, desde então, foram a estrutura que sustentou o trabalho da Seleção e deixar, ainda, uma palavra a Roberto Martínez e à sua equipa técnica pelo trabalho e elevação com que marcaram a sua passagem por Portugal.

A chegada de Jorge Jesus representa um novo ciclo, a presença de um homem genuíno, com ideias próprias e uma forma de trabalhar tão personalizada que nos dá garantias da qualidade de jogo que a sua Seleção vai apresentar, bem como o desenvolvimento de talentos que Portugal tem de saber potenciar para continuar a ombrear com os maiores.

Acredito que esta foi a escolha certa, pela experiência, pela capacidade de agregar a sociedade portuguesa à volta do projeto e porque, indiscutivelmente, Jesus marcou o futebol português, conhecendo as suas vicissitudes, pondo-se à prova e tendo sucesso em contextos completamente diferentes.

Todos sabemos que o feitio do mister não é dado a passar paninhos quentes, mas os jogadores que trabalharam com ele falam de uma evolução natural das suas capacidades e um nível de exigência que faz parte da ambição das equipas ganhadoras. O trabalho da nova equipa técnica nacional está definido e a base de recrutamento atual é extraordinária.

Contudo, o sucesso da Seleção a longo prazo depende do que irá ser feito para garantir a sustentabilidade dos clubes e competições nacionais. A criação de espaços competitivos adequados aos jovens jogadores portugueses e o projeto comum para o desenvolvimento do jogador nacional não se restringem ao enorme trabalho que é feito desde as Seleções jovens até ao topo.

A chave do sucesso está na pirâmide do futebol nacional, na visão dos clubes e no apoio contínuo à sua intervenção a nível local. Agora, “let's roll". Que tenhamos a capacidade para remar todos para o mesmo lado, em nome de Portugal."

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