Opinião: "Agenda internacional: governação e sobrecarga"
Presidente do Sindicato dos Jogadores e os temas debatidos na Portugal Football Summit.
No artigo de opinião desta semana, publicado no jornal Record, Joaquim Evangelista analisa os temas debatidos pelo Sindicato dos Jogadores na segunda edição da Portugal Football Summit:
"O Portugal Football Summit 2026, organizado pela Federação Portuguesa de Futebol, juntou FIFPRO, Ligas Europeias, clubes europeus e a UEFA num debate que tive o privilégio de moderar, sobre o caminho percorrido desde a decisão do 'caso Diarra', que exigiu o fim do unilateralismo na regulação do futebol.
Num sistema internacional que terá, a partir de janeiro de 2027, um novo regulamento para o sistema de transferências, David Terrier, presidente do sindicato francês e da FIFPRO Europa, Alberto Colombo, secretário-geral das Ligas Europeias, Loïc Alves, especialista da UEFA e Thomas Delameilleure, membro do grupo de trabalho regulamentar da EFC, trocaram ideias sobre os desafios para as organizações que representam e os seus filiados.
No mesmo dia em que promovemos este debate, as ligas inglesa, espanhola, italiana e alemã emitiram um comunicado a exigir a reforma estrutural do modelo de governação da FIFA.
Para prevenir incidentes futuros, como aquele que uniu o futebol contra o projeto 'FIFA Forward Entrerprise', ao invés de personalizar a responsabilidade pelo ataque inquestionável ao futebol que conhecemos, os oradores destacaram a experiência do diálogo social europeu para o setor do futebol profissional e a importância de criar uma estrutura semelhante a nível mundial.
Este é um dos passos fundamentais para que as decisões da FIFA deixem de residir no poder de um homem só e nos interesses políticos e financeiros que o sustentam.
O Summit acolheu, também, um debate sobre a sobrecarga competitiva e como está a afetar o rendimento, a saúde e bem-estar dos jogadores. Alexander Bielefeld, da FIFPRO, João Oliveira, do Sindicato dos Jogadores, Ricardo Miranda, médico especialista em medicina desportiva e Carlos Carneiro, ex-jogador e dirigente, analisaram, sob diferentes perspetivas, os números esmagadores que o último relatório da FIFPRO apresenta e como a sobreposição de calendários e a densidade competitiva afetam todo o ecossistema do futebol, com implicações na saúde e desenvolvimento dos jovens talentos, na sustentabilidade financeira das ligas e competições que perdem espaço e visibilidade, ou nos problemas para exercer determinados direitos ou recomendações médicas sobre descanso e recuperação.
Uma conversa assente em factos, moderada exemplarmente pelo Sérgio Krithinas, que deixou várias ideias importantes sobre o que é preciso fazer para mitigar este problema que afeta diretamente o melhor que o futebol tem para oferecer."



