Opinião: "O legado que nos continuará a inspirar"


Presidente do Sindicato dos Jogadores aborda os temas debatidos na Performance & Health Summit da FIFPRO e apela a uma solução que dignifique o percurso de Cristiano Ronaldo

No artigo de opinião desta semana, Joaquim Evangelista aborda a sua participação no evento Performance & Health Summit, co-organizado pela FIFPRO e Cleveland Clinic, em Londres e apela a uma solução que dignifique o percurso de Cristiano Ronaldo, o maior jogador da história do futebol português.

"Esta semana desloquei-me a Londres para participar no Performance & Health Summit, evento co-organizado pela FIFPRO e Cleveland Clinic, precursora de avanços técnicos e tecnológicos na área da medicina que colocam a recolha de informação, a atuação preventiva e o apoio à atividade dos desportistas num patamar quase inimaginável. Um seminário com visões diferenciadas sobre o tema da sobrecarga competitiva e gestão dos calendários, em que o centro da discussão esteve no jogador e na jogadora. Ficou claro que na próxima década teremos avanços extraordinários, integrando os avanços da inteligência artificial, enquanto continuaremos a precisar de um quadro regulatório que exija a conciliação entre rendimento desportivo, saúde e bem-estar dos atletas, tornando-os beneficiários das novas ferramentas de apoio e não escravos das mesmas. Neste evento, à semelhança de centenas de outros encontros internacionais em que estive ao longo do meu percurso como dirigente, ser português desperta um reconhecimento imediato, mesmo por quem não tem uma familiaridade direta com futebol e vem de outros contextos profissionais ou desportos, com o nome Cristiano Ronaldo. O seu legado desportivo é tão grande e tão importante que ultrapassa barreiras linguísticas, culturais ou adversidades políticas, salta gerações e permite-nos afirmar, como portugueses, uma identidade de excelência. Nada disso faz com que o homem, por detrás do jogador, não seja humano. Ainda em Inglaterra, tive noção do impacto negativo que a saída do Cristiano da concentração da seleção nacional iria ter e ao regressar a Portugal constatei toda a atenção que, imediatamente, provocou um debate multinacional, alimentado pela necessidade visceral que hoje existe de estar a favor ou contra alguém, apoiar uma ideia apenas para criar dano no outro e, sobretudo, antecipar conclusões sem ter verdadeiro conhecimento do que se passou. Muitos parecem ter a chave milagrosa para gerir esta crise. No meu caso, direi pelo respeito e admiração que tenho pelo Cristiano, pela estima que tenho pelo mister Jorge Jesus e pela ambição que a atual direção da FPF colocou, com a liderança deles, na construção de um projeto desportivo agregador e vencedor, que ainda há tempo e espaço para uma solução que dignifique o percurso do maior jogador da história do futebol português. Deixo, ainda, uma palavra de agradecimento aos jogadores da nossa seleção, que no meio deste turbilhão de acontecimentos têm sido inexcedíveis dentro e fora de campo, terminando no Estádio do Dragão um ciclo de quatro jogos preparados em condições difíceis, merecendo mais do que nunca o apoio de um país unido atrás de si."

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