Joaquim Evangelista em painel com Maniche e Raúl Porras no S4 Congress, em Viseu
Em debate, o discurso de ódio online.
O presidente do Sindicato dos Jogadores e membro do Board mundial da FIFPRO, Joaquim Evangelista, participou esta terça-feira como orador num painel de debate sobre redes sociais e o discurso de ódio, que se realizou no S4 Congress, em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD).
Com a moderação de Sérgio Krithinas, do jornal Record, Joaquim Evangelista, o ex-internacional português Maniche e Raúl Porras, presidente da Comissão Espanhola contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Desporto, analisaram o impacto que as redes sociais têm na disseminação do discurso de ódio no futebol.
Joaquim Evangelista defendeu que o fenómeno não é exclusivo do futebol, mas antes um reflexo da sociedade em que vivemos, partilhando a sua experiência pessoal e os contactos com jogadores afetados por mensagens de ódio e ataques nas redes sociais. O presidente do Sindicato dos Jogadores salientou que a liberdade de expressão e o ativismo social dos jogadores devem ser valorizados e não reprimidos, sendo missão das organizações que tutelam o futebol em Portugal encontrar mecanismos de proteção contra o discurso de ódio.
A este propósito, num projeto apoiado pela FIFPRO, a FIFA implementou um sistema de monitorização das redes sociais dos atletas participantes nas suas competições que, de acordo com o relatório publicado após o último Campeonato do Mundo, incluiu 1.248 jogadores em prova e permitiu excluir 240 mil posts e mensagens de ódio que lhes eram dirigidos.
O ex-internacional português Maniche lembrou que o discurso de ódio é crime e pode ter um impacto pessoal e familiar devastador para os jogadores. Apesar da crítica fazer parte da carreira de um atleta com exposição mediática, Maniche salientou que aquilo que acontece habitualmente nas redes sociais vai muito para além da crítica, devendo ser combatido de forma eficaz.
Na sua intervenção, Raúl Porras reforçou que os mundos online e offline estão interligados, e que as redes sociais amplificam aquilo que se passa nos recintos desportivos, promovendo abusos com grande impacto para jogadores, treinadores e árbitros, sendo inevitável que tenha reflexos dentro de campo.



