A Presidência da República e o desporto


Estas eleições para a Presidência da República representam, tal como sucedeu ao longo do último ano no desporto nacional, uma mudança de ciclo político.

Mais do que o garante da estabilidade política nacional, o Presidente da República é o representante e a voz do povo português, projetando nacional e internacionalmente os nossos valores e a nossa cultura.  

O Presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, cumpriu uma importante missão de reaproximação da primeira figura do Estado às pessoas e de contacto com as diferentes comunidades e realidades sociais.

No que diz respeito ao desporto, e ao futebol em particular, foi um fervoroso apoiante das Seleções Nacionais e soube reconhecer a importância que as diferentes conquistas dos nossos atletas, masculinos e femininos, das mais diferentes modalidades, trouxeram para o reforço da unidade e sentimento nacional.

O próximo detentor do cargo não terá tarefa fácil no contexto político, económico e social em que o mundo se encontra.

Aproveitando o mote trazido pela atual Direção da Federação Portuguesa de Futebol para este mandato: unir o futebol, seria importante que, na defesa de valores constitucionais como a liberdade, igualdade e proteção social, o novo chefe de Estado encarasse o desporto para além dos resultados desportivos.

Unir o país também pode ser feito através de um acesso universal à prática desportiva e o seu aproveitamento para ser instrumento de inclusão social, capacitando as organizações desportivas.

Perante tanta dificuldade em incutir nos mais jovens a preservação dos valores que nos definem enquanto sociedade, numa era em que as redes sociais geram tendências e desinformação, o desporto deve ser olhado como uma ferramenta decisiva para desenvolvimento individual e a preservação dos valores democráticos.

Enquanto não conhecemos o novo titular do cargo e não sabemos, portanto, qual a visão que vai imperar no Palácio de Belém, é preciso apelar ao voto de todos, uma participação cívica fundamental na construção do país que queremos para o futuro.

Não podia terminar sem prestar a minha homenagem ao João Tomás pela conclusão do seu doutoramento e pelo percurso académico que tanto o enobrece pessoalmente como à classe dos jogadores, da qual nunca deixará de fazer parte.

A pertinência do tema que abordou, os constrangimentos da transição de júnior para sénior, faz com que este trabalho deva ser devidamente reconhecido pelo futebol português e aproveitado para a tomada de medidas que impactem positivamente os atletas neste período das suas carreiras.

Artigo de opinião publicado em: jornal Record (18 de janeiro de 2026)

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