54 anos de lutas, conquistas e afirmação
A 23 de fevereiro de 1972, pela mão de um conjunto de corajosos jogadores que procuravam romper com um sistema que os prendia contratualmente e negava direitos laborais essenciais, em plena ditadura, nascia o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.
Em vésperas do 54.º aniversário da organização a que tenho a honra de presidir e sendo o jogador de futebol o motor desta indústria que impacta o setor do desporto e a economia nacional, nas suas diferentes dimensões geradoras de receitas: espetáculos desportivos, transmissões e direitos audiovisuais, patrocínios diretos ou indiretos, apostas desportivas, receitas fiscais e contributivas decorrentes de todas as atividades laborais e comerciais inerentes, ainda assim, em muitos dos novos ciclos políticos e planeamentos estratégicos, as necessidades dos atletas profissionais devem ser respeitadas.
O nosso sistema deve valorizar a carreira do praticante desportivo profissional, garantindo-lhe o estatuto de profissão de desgaste rápido, e responder adequadamente nos momentos de desemprego, doença e acesso à reforma.
Num quadro em que, felizmente, existe um regime especial de direito do trabalho que determina claramente aquilo que caracteriza a natureza profissional e, portanto, jurídico-laboral da relação contratual mantida entre um jogador e um clube, proliferam abaixo das duas ligas profissionais criações jurídicas para diminuir direitos e fugir a obrigações contributivas, com impacto na precariedade dos jovens atletas que se dedicam em exclusivo à atividade, para chegar ao topo da pirâmide do futebol português, o que os números demonstram ser cada vez mais difícil.
Do legislador precisamos das alterações necessárias ao regime legal e fiscal do fundo de pensões, para que possa conferir eficácia a este instrumento de poupança que responde, principalmente, no final de carreira.
Continuaremos a bater-nos por uma concertação social que permita avanços significativos nestas áreas e a fazer a nossa parte, assumindo um apoio 360.º aos jogadores, na educação e transição de carreira, no apoio legal e acesso à justiça, na área do emprego e condições laborais, nas medidas para proteção da saúde e bem-estar, na promoção do ativismo e responsabilidade social, na valorização do empreendedorismo e inovação, com acompanhamento das novas tecnologias, e na área da comunicação e media, onde é cada vez mais importante saber marcar presença.
Brevemente iremos apresentar mais um projeto que reflete o compromisso com todas as gerações de futebolistas. A nossa missão continuará a ser dar-lhes voz, todos os dias.
Artigo de opinião publicado em: jornal Record (22 de fevereiro de 2026)