Sinais preocupantes do Médio Oriente


As últimas semanas têm sido de enorme apreensão face ao escalar do conflito no Médio Oriente. Dezenas de jogadores e treinadores portugueses a trabalhar no Irão, Israel, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Barém ou Omã, enfrentam dias de incerteza em relação à sua segurança e ao futuro profissional nos países afetados.

O facto de estarmos perante um conflito que impacta vários países, de forma direta ou indireta, havendo nesta altura poucas certezas sobre aqueles que conseguirão retomar brevemente as suas competições domésticas ou participar em provas continentais, torna difícil a criação de um novo regime de exceção pela FIFA.

No caso da guerra na Ucrânia, o anexo 7 ao Regulamento do Estatuto e Transferência de Jogadores permitiu suspender contratos de trabalho e dar a possibilidade aos jogadores para prosseguir a sua atividade fora da zona de conflito, com direito a uma janela de transferências especial. Uma medida justificada pela impossibilidade objetiva de execução desses vínculos laborais.

Por agora, é necessária uma análise ponderada das circunstâncias em cada caso, a manutenção do diálogo com os clubes e Ligas, bem como o acompanhamento dos jogadores e respetivas famílias.

A nível internacional, a FIFPRO já interpelou a FIFA para debater possíveis soluções regulamentares para a gestão deste conflito e a sua Divisão Ásia/Oceânia está no terreno para apoiar em necessidades específicas os jogadores afetados.

A nível nacional, juntamente com os nossos colegas da Associação Nacional dos Treinadores de Futebol, interpelámos o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Gabinete de Emergência Consular para a indicação de todas as recomendações e procedimentos adequados, a fim de podermos orientar jogadores e treinadores portugueses sobre os canais existentes e as possibilidades de repatriamento.

Numa realidade já por si complexa, desde a pandemia da Covid-19 que muitos dos contratos de trabalho na região asiática tipificam possibilidades de suspensão ou diminuição de condições remuneratórias apostas nos contratos de trabalho em circunstâncias de força maior, ainda que a maior parte destas restrições não resulte de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho aprovado pelas organizações representativas dos trabalhadores, como seria exigível.

Antecipamos a necessidade de prestar apoio jurídico e institucional, mas também de disponibilizar a nossa rede de apoio psicológico, para gerir todo o stress e perturbação que uma guerra como esta implica. A todos os nossos compatriotas deixo uma mensagem de coragem e solidariedade, certos de que contarão sempre com o apoio do Sindicato dos Jogadores.   

Artigo de opinião publicado em: jornal Record (8 de março de 2026) 

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