Estágio do Jogador: trabalho que não termina
Chegou ao fim a 24.ª edição do Estágio do Jogador, que assinalou os 25 anos da iniciativa, uma semana após a conclusão da 2.ª edição feminina.
O Campus do Jogador foi casa para 54 jogadores e 40 jogadoras, à procura de condições para evoluir e encontrar um novo clube, ou simplesmente preparar a nova época nas melhores condições possíveis. Até ao final desta janela de inscrições perceberemos melhor o impacto ao nível das colocações, mas é sobretudo o papel transformador e motivacional da minha equipa que quero salientar.
No Estágio da Jogadora tivemos a responsabilidade acrescida de acolher muitas jovens a dar os primeiros passos na carreira, com enorme ambição e vontade de aprender. Assegurar os treinos, ensinar e desenvolver competências que vão para além do jogo foram tarefas executadas de forma brilhante pela Carla Couto, coadjuvada pela Filipa Silva, a Natacha Martinho e a Matilde Fidalgo. Quando se pedem sinais concretos de empoderamento das nossas atletas, esta é uma resposta à altura.
No Estágio do Jogador, à equipa da casa, liderada pelo José Carlos, apoiado pelo Rebelo e o nosso Ranque Franque, tivemos um corpo técnico que voltou a contar com a preciosa ajuda do Hipólito e do Carlos Fernandes. A escolha do treinador é sempre muito ponderada pelo perfil necessário para uma iniciativa desta natureza. Não basta dar treinos, é preciso compreender as necessidades, os anseios e a realidade de quem procura o nosso apoio nesta fase da sua carreira.
A escolha do Élio Martins cumpriu todas as expectativas e só posso elogiar o trabalho fantástico que desenvolveu, somando às qualidades humanas e à resiliência que eu já conhecia enquanto jogador, uma inegável qualidade no trabalho em campo. Agradeço-lhe por aquilo que nos acrescentou este ano e tenho a certeza que terá a oportunidade no futebol que bem merece.
Hoje impera, cada vez mais, o individualismo e a procura obsessiva pelo desenvolvimento individual dos atletas. O que o Estágio assegura é, justamente, uma experiência que trabalha aspetos individuais num contexto de equipa e partilha de experiências. O apoio que os veteranos do grupo deram aos mais jovens foi extraordinário, assim como foi notável o empenho diário do grupo, a participação nas nossas ações de formação ou a integração no estudo internacional sobre o impacto dos cabeceamentos, organizado pela FIFPRO. A todos os formadores e colaboradores externos, à minha equipa de comunicação e ao Record, que deu visibilidade diária a este projeto, deixo, também, um enorme agradecimento.
A palavra final vai para os participantes. Seja qual for o vosso caminho, contarão sempre com o Sindicato dos Jogadores, certos de que terminam esta etapa mais bem preparados para os desafios que se colocam dentro e fora de campo.
Artigo de opinião publicado em: jornal Record (23 de agosto de 2026)