Apostar e errar


Em matéria de integridade, Portugal é um dos países que mais se desenvolveu e integrou as recomendações internacionais, transpondo para a lei, revista pela última vez em 2024, e para regulamentação desportiva, aprimorada ao longo das últimas épocas, normas claras e objetivas sobre a proibição de apostar, o endurecimento da punição de atos de corrupção e manipulação de resultados desportivos e o estabelecimento do dever de denúncia, como mecanismo de vigilância coletiva.

O que nos diz uma acusação disciplinar contra 26 jogadores de futebol que participavam em apostas desportivas? Que relatos o Sindicato dos Jogadores encontrou por detrás de algumas destas histórias? Como podemos, a partir da censura imediata, retirar algo mais para salvaguardar o futuro do futebol? Diz o brocardo que o desconhecimento da lei não aproveita a ninguém e, dessa máxima, retiramos que têm de existir consequências sancionatórias a quem aposta.

Contudo, esta é uma aprendizagem sobre uma geração que desconhece em muitos aspetos as regras que regem a atividade desportiva que pratica e desvaloriza os perigos. Não falamos apenas nas consequências disciplinares, criminais ou na reação de afastamento da 'tribo do futebol' quando um caso ganha dimensão pública, está também em causa a exposição a uma adição que se pode descontrolar e destruir vidas.

A formação de quadros e a sensibilização dos agentes desportivos são a chave para qualquer programa de integridade. É impossível chegar com o mesmo alcance a todo o território, mas temos o dever de disseminar melhor esta mensagem.

A informação tem de ser transmitida pelas formas que se revelem mais eficazes e criativas, com a ajuda de todos, dirigentes, treinadores, jogadores que atuem como embaixadores e o apoio de Associações Regionais, Associações de Classe, Federação, Liga, Estado e reguladores.

No caso do futebol, hoje já existe um grupo descentralizado de pessoas habilitadas a dar formação nesta matéria. Se precisam de mais recursos, têm de ser alocados, se precisam de novas plataformas ou instrumentos de comunicação, temos de investir neles. As famílias e as escolas podem, igualmente, servir de complemento para criar uma rede de segurança no desporto.

Tendo este espaço para dar voz ao tema, quero deixar uma mensagem muito clara a todos os jogadores, da mais baixa divisão distrital do nosso país até às competições profissionais. Todos os casos com os quais me confrontei acabaram da mesma forma, com tristeza, revolta, vergonha e sentimento de exclusão, destruindo quem achou que nada acontecia. Não arrisquem e, se tiverem dúvidas, informem-se com o Sindicato.

Artigo de opinião publicado em: jornal Record (13 de setembro de 2026)

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