“Se a Liga não tem capacidade para lutar contra o incumprimento, temos de encontrar uma alternativa”
Os jogadores do plantel do Leixões reuniram-se hoje com o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, procurando apoio perante a situação de incumprimento existente no clube – quatro meses de ordenados em atraso.
“No seguimento desta reunião não deixarei de contactar o presidente do Leixões e pedir uma audiência ao presidente da Liga. A situação de incumprimento está a agravar-se à medida que chegamos ao final da temporada. Se a Liga não tem capacidade para lutar contra o incumprimento, temos de encontrar uma alternativa porque não podem ser sempre os jogadores a pagar a factura. Só vejo duas soluções. Ou temos um modelo de licenciamento eficaz, feito por uma entidade independente, ou então devemos ter um fundo de garantia como o que existe em Espanha”, disse Joaquim Evangelista.
O presidente do SJPF também reagiu ao comunicado emitido pelo Leixões, questionando a oportunidade desta reunião e a actuação do Sindicato. “Devo dizer que esta reunião foi solicitada pelos jogadores, mas de qualquer forma o Sindicato não pede autorização aos clubes e reúne-se com os jogadores quando entender ser necessário abordar estes temas. E os clubes devem agradecer o facto de entendermos não criar mais mediatismo em torno do assunto e de procurarmos solucionar os problemas com sentido de responsabilidade e ponderação. Nesse sentido, acho que o comunicado foi infeliz. Aliás, é vantajoso para os clubes que estes encontros sucedam e o Leixões não é excepção até porque no ano passado reunimos e ajudámos a superar o problema”.
O presidente do Sindicato dos Jogadores explicou depois o teor da reunião. “Serviu para esclarecimento, falámos do contexto existente, não apenas do incumprimento salarial, mas também a situação demissionária do presidente da SAD. Os jogadores precisam de saber colocar-se em relação ao futuro. É verdade que o Leixões não é um caso único e o que estamos a procurar fazer é mesmo: minimizar o problema, disponibilizando o nosso fundo de ajuda e abordar outro tipo de situações que têm que ver com a situação concreta de cada jogador”.
Joaquim Evangelista, por fim, insistiu na gravidade do momento que atravessa o futebol português. “80 por cento dos clubes estão em incumprimento, é verdade e os dirigentes têm noção disso. A situação agrava-se e só pode ser resolvida em conjunto. Neste país até parece que se tornou regra ter um ou dois meses de ordenados em atraso. E os jogadores, que se esforçam pelos clubes, muitas vezes em condições desvantajosas, são os primeiros a ser prejudiciais pela prepotência de alguns dirigentes”.



