Os jogadores da União de Leiria ganharam respeito e dignidade
O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol vem por este meio apresentar a mais elementar e óbvia explicação que o presidente da Liga, Mário Figueiredo, tendo em conta as suas declarações desta tarde, ainda não conseguiu descortinar.
O Sindicato dos Jogadores lamenta que tanto a Liga como a União de Leiria, lançando todo o ruído possível para este processo, ainda não tenham assimilado o essencial: face ao incumprimento, os jogadores lutaram pelos seus direitos, exigiram respeito, não foram atendidos e avançaram para a rescisão contratual. Procurando a própria dignidade.
Respeito e dignidade são valores que faltam aos presidentes da União de Leiria e da Liga. Não deixa de ser lamentável que o presidente da União de Leiria, figura incontornável do futebol português, conhecido pelos mais diversos expedientes e posições públicas, tenha agora o presidente da Liga a querer imitá-lo. No comportamento, no discurso, na mentalidade.
O Sindicato dos Jogadores assinala que Mário Figueiredo deu finalmente a cara. O presidente da Liga esteve hoje na Marinha Grande para assistir ao União de Leiria-Feirense, jogo que fica na história do futebol português: porque antes do jogo o presidente da Liga pressionou os jogadores; porque o jogo foi desigual (8 contra 11); porque foi ilegal (participaram dois jogadores que rescindiram na sexta-feira o contrato com a União de Leiria); e finalmente porque ao estar presente não respeitou os outros competidores que exigem igualdade da competição.
Com as declarações feitas no final da partida, o que presidente da Liga afirmou foi que este jogo cumpriu com os regulamentos, como se fosse normal um jogo com estas características. Foi até este ponto que o presidente da Liga, apesar de só passarem três meses do seu mandato, deixou o futebol profissional evoluir; e é este futebol que pretende manter. Depois de todos os problemas que já causou, acrescenta mais um ao futebol português, permitindo a utilização de jogadores em situação irregular. Isto sem esquecer a questão primeira: esta Liga permitiu que a União de Leiria chegasse ao ponto de entrar em campo com apenas oito jogadores, sem condições de discutir o resultado, o que fere de morte a verdade desportiva da competição.
O Sindicato dos Jogadores aproveita a oportunidade para relembrar ao presidente da Liga que, nas negociações existentes na sexta-feira, não foi feita qualquer proposta concreta aos jogadores da União de Leiria, a não ser aquela em que teria de ser o Sindicato a descontar uma letra, de uma verba que nem sequer se aproximava dos valores devidos e exigidos pelos jogadores. O que o presidente da Liga não disse e importa esclarecer é que seria sempre o Sindicato a ser responsável pelo pagamento e isso não mereceu a nossa concordância.
Por fim, o Sindicato dos Jogadores destaca que finalmente o presidente da Liga assume o falhanço do modelo de licenciamento da Liga, enquanto ainda na sexta-feira afirmava o contrário. Quanto ao facto de não assumir qualquer responsabilidade neste modelo de licenciamento, isso define a forma como interpreta o seu o mandato.
Declaração de Joaquim Evangelista:
“Os jogadores exigem respeito. O presidente da União de Leiria e da Liga não se deram ao respeito. Envergonharam o futebol português e criaram um clima de suspeição e intriga generalizado que afecta a credibilidade do futebol. Àqueles que aplaudiram a coragem de oito jogadores contra onze importa dizer que não vale tudo. Aceitar esta situação torna-nos cúmplices da mesma. Finalmente, contra os que se vitimizaram atacando cobardemente os jogadores, importa dizer que terão a defendê-los, intransigentemente, o Sindicato e o seu presidente”.
Comunicado disponível para download, aqui.



