Lilian Thuram e a luta contra o racismo


O ex-internacional francês foi o protagonista da conferência realizada na Fundação Calouste Gulbenkian subordinada ao tema “Educação contra o Racismo”.

Perante uma plateia bem composta e onde se incluíam, entre outros, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), e Abel Xavier, ex-jogador e actual embaixador do Sindicato para acções contra o Racismo e a Violência no Desporto, Lilian Thuram, 40 anos, defendeu que a erradicação do racismo só será possível através de uma educação assente num forte sentido social, uma vez que “tem raízes históricas e culturais remotas”.

Segundo o campeão do mundo (1998) e da Europa (2000) “não existe um povo branco ou um povo negro” e o racismo “está no mesmo patamar que o sexismo ou a homofobia”, porque estes advêm de um acto cultural imposto pela sociedade e, sobretudo, do discurso político, que “origina clivagens e divisões” entre as pessoas.

“A hierarquia segundo a cor da pele acabou há relativamente pouco tempo. Há pessoas que pensam que a cor da pele pode determinar o destino dos outros. É necessário educar para que as crianças vejam as coisas de outra forma. E porquê as crianças? Porque elas têm menos preconceitos. A igualdade é inevitável”, adiantou o jogador mais internacional de França com 142 internacionalizações.

Para Lilian Thuram, natural de Guadalupe, antiga colónia francesa, embora haja, "é raro haver racismo no futebol”. E explicou: “Quando se está no desporto aprende-se a lidar com o próximo, a conhecê-lo. É claro que o jogador é um modelo para a sociedade e por isso há que, aos poucos, porque tudo demora o seu tempo, acabar com esta barreira do racismo. A UEFA e a FIFA têm os mecanismos necessários e aplicam as sanções justas."

Após o final da conferência, Joaquim Evangelista e Abel Xavier entregaram a Lilian Thuram uma camisola alusiva à luta do SJPF contra o Racismo e a Violência no Desporto.

Recorde-se que o ex-jogador de Juventus e Barcelona, entre outros, deixou os relvados em 2008 e então criou uma fundação com o seu nome com o propósito de combater o racismo. “Não nascemos racistas, mas tornamo-nos racistas” é uma das ideias fortes da instituição.

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